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Cairo

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Uma cidade caótica, com trânsito tumultuado e intenso, com uma poeira constante no ar, com bairros luxuosos conflitando com a maioria pobre e sem recursos, com o novo vizinho ao velho... Assim, é o Cairo, uma cidade intrigante, que à primeira vista choca, mas à segunda apaixona. É daqueles lugares que é preciso sugar a essência para entender o conjunto e sobretudo, é preciso quebrar paradigmas!

 

 
A maior cidade do mundo árabe e também do continente africano foi fundada no século I a.c., visando substituir a antiga capital Menfis. Após a decadência do Império Egípcio, o Cairo foi conquistado por diversos povos e converteu-se em muçulmano após a chegada dos árabes. Por 4500 anos manteve o título de cidade-sede da construção mais alta do mundo: a pirâmide de Quéops, uma das 7 maravilhas do mundo antigo, aliás, a única das quais ainda existente (veja mais no post sobre as pirâmides).

 
O contraste das construções está por todo lado, à começar pela favela que cresceu junto às monumentais pirâmides e pelos hotéis de luxo às margens do Nilo, que também discrepam com os intermináveis prédios do centro da cidade, caindo aos pedaços e nunca reformados. Muitos permanecem sem reboco, tentando enquadrar-se na lei que isenta de impostos as construções "sem fundos" para acabamento. Isso ajuda ainda mais que a cidade tenha um tom amarelado, fortalecido obviamente pelo sol e pela areia do deserto.

 
 

 
O museu egípcio do Cairo - um dos atrativos mais visitados - com sua fachada rosada em estilo art nouveau, é mais um ponto de contraste da cidade. Lá dentro está um dos mais incríveis acervos da história mundial, dentre eles, a bela coleção encontrada no túmulo de Tutankamon, o único faraó que não teve a tumba violada. Suas jóias e objetos são impressionantes e é uma visita obrigatória para uma tarde inteira!
O que me decepcionou no museu foi a sua estrutura. À começar pelo tamanho, pequeno demais para o acervo, onde acredita-se que 2/3 dele esteja ainda guardado no porão por falta de espaço! A iluminação não favorece as peças (amontoadas e empoeiradas) e grande parte das descrições está apenas em árabe. Porém, ouví dizer que o novo prédio do museu está sendo finalizado, muito maior e mais bem estruturado e o melhor, no Vale de Gizé, bem pertinho das pirâmides!
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Perambular pelas vielas da citadela ou cavalgar sem rumo numa caleche (a carruagem típica de todo o Egito) pela corniche du Nile é outro passeio imperdível! Não há como não fotografar o curioso cotidiano local, sobretudo nos parques e bazares, chamados de souk em árabe.

 

 
Os egípcios são simpáticos e espertos. Apesar de terem um sorriso fácil e aparentemente sincero -  principalmente com brasileiros -, muitas vezes ele esconde um interesse maior pelo turista, que pode visar um favor em troca de uma bakshesh (gorjeta em árabe), ou qualquer outra coisa, como uma visita guiada ou a indicação em uma loja de artesanato. O melhor é combinar antes ou retribuir com o cordial shukran (obrigado em árabe) se não estiver interessado. Se ele insistir e você não quiser nada mesmo, solte um hallás (chega!) que ele te deixará em paz de vez! Mas seja compreensivo, afinal, num país em que o salário mínimo é baixíssimo, o povo tem que fazer algo a mais para incrementar o orçamento familiar e os turistas acabam sendo a principal fonte para tal feito.

 
Por falar nisso, o turismo é uma das três principais fontes de renda do país e o setor foi muito abalado com o triste atentado terrorista em  1997, que matou 70 turistas no Templo de Hatshepsut. Depois disso, medidas drásticas foram tomadas, dentre elas, guardas armados nos principais atrativos turísticos locais. Uma cena que assusta, mas logo se acostuma... Cest le Egypt!

 

 
No próximo post vamos voltar 5 mil anos na história e passear por um dos locais mais incríveis do mundo: o Vale de Gizé, onde reinam as pirâmides e a enigmática esfinge. Acompanhe!

Veja mais dicas de viagem e turismo pelo Egito:
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