Tróia - sim, a lendária cidade existe!

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Não duvide, estamos mesmo falando da lendária Tróia, onde ocorreu a célebre batalha de mesmo nome, famosa pelo guerreiro Aquiles; pelos reis Príamo, Agamenon, Menelau e Odisseu; pelos príncipes Páris e Hector; e pela bela Helena de Tróia. A guerra que durou 10 anos marcou todas as civilizações daquela época e continuou a ecoar pelos séculos seguintes, ainda hoje, mesmo 4 mil anos depois de ocorrida.

O poeta Homero imortalizou o evento em sua obra literária Ilíada, considerada uma das obras mais importantes da literatura mundial, tendo influenciado fortemente a cultura clássica e tornando-se o documento ocidental mais antigo já encontrado. O mix que o autor faz entre o evento e as diversas divindades da mitologia grega confundem qualquer leitor moderno e graças à Hollywood, as pessoas puderam entender mais à respeito com o filme Troy, estrelado por Brad Pitt e Orlando Bloom.

Mesmo com uma boa dose de efeitos hollywodianos, a história é contada semelhante à original. Para quem não se lembra do filme, o estopim da guerra se dá com a fuga da bela Helena de Esparta para Tróia, com o seu amante e príncipe do reino, Páris. Com isso, Agamenon, rei da grande Grécia, que já buscava alguma desculpa para invadir Tróia e anexá-la ao seu império, decide iniciar a guerra para honrar o irmão traído, contratando o guerreiro Aquiles. No décimo ano da guerra, sem vencedores e vencidos até então, os gregos fingem abandonar Tróia e deixam um imenso cavalo de madeira como oferenda aos deuses. Os troianos, após descobrirem a "fuga" dos gregos e o presente deixado por eles, decidem festejar e levar o cavalo para o reino. E aí, todo mundo conhece a célebre frase "presente de grego" nascida do episódio em que na calada da noite, os gregos saem do cavalo ao qual estavam escondidos e tomam a cidade. Matam todos e queimam tudo. O invencível Aquiles vê sua sorte mudar quando é atingido no calcanhar por uma flechada do príncipe Páris e daí, outra célebre frase nasceu "calcanhar de aquiles". Os grandes guerreiros morreram, Tróia foi destruída e não se sabe ao certo o destino de Helena e Páris.

Talvez pudesse ter sido conhecido mais à respeito de Tróia, não fosse o anti-profissional do arqueológo alemão Heinrich Schliemann ter redescoberto Tróia em 1871. Se por um lado o sujeito trouxe ao mundo o que antes pensava ser apenas lenda, por outro, ele terminou de destruí-la por completo. Seu objetivo não era descobrir o patrimônio para resgatá-lo e mantê-lo, mas sim, encontrar o tão famoso tesouro do rei Príamo para seu próprio enriquecimento. Com isso, ao invés de fazer escavações delicadas com pincéis como de costume, deu logo início à uma gigantesca obra de escavação com tratores, quebrando tudo que aparecia pela frente. Mesmo em meio às milhares de toneladas de pedra e entulho em que transformava gradativamente a cidade, não sossegou até encontrar algo que de fato lhe rendesse algo. Finalmente encontrou uma belíssima peça provavelmente pertencente à esposa de Príamo, composta de várias voltas de ouro maciço que adornavam desde a cabeça até o pescoço, num estilo ancestral de melindrosa. A peça nunca foi para algum museu e nem se conhece mais seu paradeiro. Há registros - inclusive foto - de que foi presenteada à mulher do arqueólogo. Depois de abandonar Tróia, Schliemann pediu desculpas formais ao governo turco por todo o dano que causara ao patrimônio do país e desde então os trabalhos de escavação foram assumidos por equipes realmente profissionais, que nos permitiram ver hoje "as Tróias" de antigamente (Tróia foi uma sucessão de 9 cidades construídas uma sobre a outra, como pode ser visto na representação da penúltima foto).
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Acho curioso que toda esta história não está no wikipédia e nenhuma outra fonte de pesquisa. Muito pelo contrário, endeusaram o arqueólogo Schliemann e hora alguma citam as besteiras que o mesmo fez. Enfim, só viajando mesmo para descobrir as verdades do lugar...
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Tróia estava às margens do mar Mediterrâneo, mas após anos de assoreamento, ficou distante quase 10 km do litoral. Está sediada em um terreno elevado, dono de uma vista belíssima dos campos de oliveiras cercado de capins dourados. Toda a região é tombada pela Unesco e logo na entrada do parque, os visitantes já se deparam com um enorme cavalo de madeira. O original usado no filme, com um design bem mais interessante, está na avenida beira mar da cidade vizinha de Çanakkale.

Tróia é legal, mas não fique com a expectativa muito alta. A paisagem é interessante, o clima agradável, mas só existem ruínas mesmo. Só vá se for percorrer o roteiro entre Istambul e o litoral sul, porque aí sim vale uma parada de 2 horas. Ou então, se realmente quiser respirar o ar de Tróia e sentir-se como um dos lendários heróis da guerra, como o turista da antepenúltima foto. Mas saiba que nem mesmo Brad Pitt pisou por lá... o filme foi todo gravado na Ilha de Malta, há 1000 kms de distância dali.
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Próxima parada: Kusadasi

12 comentários:

Carol Wieser disse...

Fê.

Adorei o post sobre Tróia (ainda mais depois que vi a foto do Brad), suspiros....

Nunca tinha me dado conta que em algum lugar do planeta essa cidade existia. Sabe quando a ente não se liga???

Pronto gostei.

Fê Costta disse...

Pois é Carol, eu também achava que era o mesmo caso de Atlântis ou Gothan City! rsrs Inclusive, certa vez perguntei a um colega de sala turco onde ficava Tróia e ele mesmo não soube me responder... Imagina qual não foi minha surpresa quando estive em Istambul pela primeira vez e ví várias agências de viagens ofertando o passeio para Tróia! Logo ví que ela existia mesmo e na minha segunda viagem à esta terra maravilhosa, fui logo querendo vê-la de perto! ;)

Bjos!

Mile disse...

Conhecendo mais uma cidade que eu desconhecia completamente.
Bjoks

Camila disse...

Que pena que restou tão pouco para conhecermos agora... Eu semprei adorei a história da Grécia! Lembro que na escola eu lia o livro de história inteirinho já no início do ano, como se fosse literatura. hehe

Beijos!

Claudia Liechavicius disse...

Muito legal ficar sabendo dos "bastidores" da história de Tróia. Interessante seu relato!
Bjs

Adriana disse...

adorei aprender mais sobre Troia!
ótimo post! ;)

Thiago Barreto disse...

Amiga, eu literalmente viajei nesta ! Que delírio ler este post...aliás, sou fã de teu site há tempos....


Gostaria de indicar meu blog na sua lista?

bjs

www.buenosairesdicas.com

Fê Costta disse...

Thiago, já tá lá seu blog, listadinho junto com os melhores! ;))

Ai que saudade de Buenos Aires! Ô terra que eu adoro!!!

Luisa disse...

Vivendo e aprendendo! Adorei o post e adorei descobrir que Troia existe de verdade!
Bjs

Fê Costta disse...

Oi Luisa!

Legal, né?! Pena só o Brad Pitt não ficar dando sopa por lá... Seria a atração principal! hahah

Bjos!

Elisa disse...

Gostei da postagem. Mas discordo quanto a dizer que Schliemann só fez besteiras. Ele realmente era orgulhoso, e de fato escavou Tróia mais como uma realização pessoal, um alter-ego. Mas é importante lembrar também, que estamos falando do século 19, quando a Arqueologia ainda estava engatinhando, não havia o cuidado que há hoje. Sem contar, que ele fez o que ninguém queria fazer, muitos riram na cara dele, debocharam bastante, e só se interessaram quando perceberam a importÂncia do achado dele. Ele pensou que tinha achado o tesouro de Príamo mesmo, isso é uma coisa que não podemos saber com certeza, pois ele foi doado ao museu da Alemanha, e durante a 1a guerra acho, desapareceu. Ele podia ser muito arrogante em relação a isso, mas é importante lembrar que os que criticaram e riram dele, não tiveram a coragem de investir tempo e dinheiro em ir procurar. E penso que se não fosse o "anti-profissionalismo" dele nenhum outro maluco teria se habilitado a escavar Tróia, e todos nós continuariamos achando que Homero fez só um poema épico, sobre uma guerra que nunca existiu. Acho que temos que sempre analisar os dois lados da coisa.

Elisa disse...

Gostei da postagem. Mas discordo quanto a dizer que Schliemann só fez besteiras. Ele realmente era orgulhoso, e de fato escavou Tróia mais como uma realização pessoal, um alter-ego. Mas é importante lembrar também, que estamos falando do século 19, quando a Arqueologia ainda estava engatinhando, não havia o cuidado que há hoje. Sem contar, que ele fez o que ninguém queria fazer, muitos riram na cara dele, debocharam bastante, e só se interessaram quando perceberam a importÂncia do achado dele. Ele pensou que tinha achado o tesouro de Príamo mesmo, isso é uma coisa que não podemos saber com certeza, pois ele foi doado ao museu da Alemanha, e durante a 1a guerra acho, desapareceu. Ele podia ser muito arrogante em relação a isso, mas é importante lembrar que os que criticaram e riram dele, não tiveram a coragem de investir tempo e dinheiro em ir procurar. E penso que se não fosse o "anti-profissionalismo" dele nenhum outro maluco teria se habilitado a escavar Tróia, e todos nós continuariamos achando que Homero fez só um poema épico, sobre uma guerra que nunca existiu. Acho que temos que sempre analisar os dois lados da coisa.

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