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Abu Simbel

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Nada mais apropriado que encerrar a série do Egito com Abu Simbel, o mais galmuroso de todos os templos, contruído pelo mais poderoso faraó egípcio: Ramsés II.

Há 320 km de Assuã, na remota região da Núbia e em plena fronteira com o Sudão está a  mais caprichosa construção de todo o país, datado do século XIII a.C. São dois templos cuidadosamente escavados na rocha, um dedicado à si próprio, em que Ramsés considerou-se como um deus e o outro dedicado a sua esposa preferida, a rainha Nefertari.

(Ramsés divinizado no interior do templo - foto surrupiada da internet)

O templo principal conta com 4 mega esculturas de Ramsés, cada uma com 20 metros de altura. As faces medem 4 metros de largura e só as bocas mede 1 metro cada! O gigantismo de Ramsés era refletido em todos os aspectos de suas obras, que no fundo visavam intimidar o inimigo. As paredes do templo divinizam Ramsés e estão cobertas de poemas e afrescos de seus feitos bélicos, como a Batalha de Qadesh contra os Hititas.


(Detalhes da fachada incluem até pichações históricas datadas de 1875)

A construção do templo foi um desafio para os arquitetos da época, que além da difícil construção e dos riquíssimos detalhes, o templo contava com um fator inovador e intrigante: dois dias no ano, em 21 de março e em 21 de setembro, as 5 horas e 58 minutos da tarde, um raio de sol atravessava os 65 metros que separavam o santuário no fundo do templo da porta principal e inundava de luz o coração do deus Amon-Rá (deus do sol), sem jamais tocar a deusa Ptah, a deusa da obscuridade.

Ainda mais desafiador foi para os arqueólogos atuais, que fizeram o transporte do templo para um lugar mais alto após a construção da barragem de Assuã e da consequente formação do Lago Nasser, que inundaria todas as imediações.


Por ser uma região inóspita e insegura, os passeios até Abu Simbel são feitos por terra através de comboio ou por avião, ambos saindo de Assuã. Os comboios saem em dois horários: às 4 e às 10 da manhã e são escoltados por policiais. A viagem dura 3 1/2  horas cada trecho e oferece paisagens interessantes do deserto local, inclusive, as tão enigmáticas miragens:



Acima, o calor intenso do deserto faz parecer com que exista sempre um mar ao fundo do horizonte. Tem hora faz as montanhas flutuarem sobre o solo, outrora cria reflexos destas montanhas no mar imaginário. Incrível!

De avião a viagem dura pouco menos de 1 hora. Se por um lado, esta modalidade gasta menos tempo no trajeto, por outro não tem acesso às interessantes paisagens e miragens do deserto. Uma escolha difícil de se fazer! 

Assuã & Filae

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A cidade egípcia de Assuã é famosa pela barragem de mesmo nome, construída em fins do século XIX e duplicada durante a década de 50, possibilitando a formação do Lago Nasser, o 2o maior do mundo, com 500 kms de extensão. A construção seria à princípio financiada por Inglaterra e Estados Unidos, porém, ambos desistiram da idéia e o Egito se viu sem recursos para construí-la. Tentando angariar fundos para a obra, decidiu nacionalizar o canal de Suez, até então de propriedade da Inglaterra, e com isso, a proprietária invadiu o país juntamente com França e Israel, no que ficou conhecido como Guerra de Suez. A guerra passou e o importante é que a barragem foi duplicada com sucesso!



Com a construção do lago, 24 obras tiveram que ser removidas de seus lugares originais, dentre elas, o templo de Filae (abaixo) e o de Abu Simbel (no post a seguir). Após a primeira construção da barragem, Filae ficou completamente submersa e só muitas décadas depois foi transportada para outro lugar, sendo um dos templos mais conservados do período ptolomaico.


Os painés do templo são também bem conservados, apesar do vandalismo dos povos ao longo dos anos, como pode ser visto na última foto desta sequência, em que o rosto da mãe do faraó foi arrancado numa cena em que ela amamentava o filho:



Assuã também era conhecido por ser um banco de rocha granítica. Era dali que saiam as esculturas para os mais nobres templos do país. É iteressante conhecer o obelisco inacabado, encomendado pela faraó Hatshepsuit como o maior obelisco de todo Egito, mas uma fissura na rocha após sua primeira preparação fez com que o mesmo fosse abandonado. E lá está até hoje, parcialmente colado a montanha e já quase totalmente esculpido, medindo 41 metros de comprimento e pesando 1,2 toneladas.


Kom Ombo

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Pequena cidade egípcia próximo à Assuã que tem como principal atrativo o templo dedicado ao deus-crocodilo Sobek. Achou esquisito um "deus-crocodilo"?? Pois, em geral, os deuses do Egito eram inspirados nos animais da fauna local, muito árida e pobre em variedade e assim, surgiram deuses estranhos como falcão, chacal, abutre e até crocodilo.

A construção do templo teve início no ano 180 a.c e seu design foi inovador para os padrões da época. Além da simetria perfeita entre galerias, halls e câmaras, foi dedicado a 3 deuses, algo inédito até então. O mais interessante é a existência de um sistema de propagação de som, por onde o sacerdote conversava com o faraó, fingindo ser o deus-crocodilo Sobek, orientando-o como deveria agir socialmente e politicamente.

Os alto-relevos do templo são bonitos e interessantes, dentre eles o que consta a primeira receita médica da humanidade e também os instrumentos cirúrgicos usados na época. E ainda, os deuses, sempre onipresentes, como o crocodilo Sobek abaixo:


Por estar às margens do Nilo numa região infestada de crocodilos, foi construído um túnel subterrâneo que permitia que os répteis nadassem até um poço dentro do templo, para serem melhor admirados pelos fiéis. Os crocodilos eram mumificados e foram encontradas mais de 300 múmias no local. Hoje restam poucas no museu que funciona anexo ao templo.



Uma visita interessante para quem faz o cruzeiro pelo Nilo, mas nada que valha muito a pena se deslocar de Assuãn ou Luxor, pois é simplório e pequeno.
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