Beirute - A Paris do Oriente Médio

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O Líbano é um lugar muito interessante! Estive lá na primavera, quando o clima estava excelente, com uma brisa agradável e céu claro. O verão é quente e úmido e as pessoas fogem para as montanhas. O inverno é frio e chuvoso, mas as estações de ski garantem a diversão.
Minha viagem começou por Beirute, quando me certifiquei que o Líbano difere completamente do restante do Oriente Médio. Eles se aproximam muito mais dos Europeus e isso é nítido no estilo de vida deles. Adoram se vestir bem, curtem uma noitada regada a muito álcool e vivem em função do status. Bem, isso é mais uma maneira estereotipada do libanês típico playboy, que certamente não é a grande maioria. Mas o fato é que eles são chamados de os “argentinos do oriente médio”.  São alegres e adoram os brasileiros, não é à toa que existem mais libaneses no Brasil do que no próprio país! 

O Líbano é pequenino, bem menor que o estado de São Paulo, entretanto possui mais de 30 religiões no país, dentre as quais 18 são oficiais. Muçulmanos, católicos, ortodoxos, druzos, maronitas e sabe lá mais o quê vivem juntos tentando administrar o país à sua maneira. Resultado: o país só poderia mesmo ser esta panela de pressão, sempre tensa e prestes a explodir. Para evitar o caos, tanques de guerras e policiais armados até os dentes estão por todas as ruas da capital. Muitas vezes a cena é chocante, mas depois de alguns dias, acaba acostumando-se. Como disseram alguns libaneses que lá conheci, é o exército quem garante a paz, logo, ficam tranqüilos de os verem por ali.

Uma dica fundamental é não fotografá-los em hipótese alguma e nem qualquer outro lugar/ objeto que possa dar margem para uma discussão. Eu mesma quase tive minha máquina tomada por ter tirado foto de uma rua onde havia a embaixada da Síria. Só o fato da bandeira aparecer, mesmo que discretamente, fui obrigada a deletar as fotos.
Bem, voltando à Beirute, a também chamada de Paris do Oriente Médio, devido às suas construções em estilo arte nouveau (as que ainda restaram) e aos onipresentes cafés, o ideal é começar o passeio pela Place L’Etoile, com seu elegante relógio Rolex ao centro. Foi ali que culminou a mais sangrenta das guerras recentes sofridas pelo Líbano. Hoje totalmente renovada e com ruas fechadas, é cercada de lojas, cafés e bons restaurantes. Ali pertinho está a mesquita Al-Omari, a mais famosa da cidade, que curiosamente divide o muro com uma igreja católica. É uma cena clássica da paz (pelo menos aparente) recém conquistada.

Descendo a avenida em direção a Corniche (av. Beira Mar), passa pelo local onde foi assassinado Rafik Hariri, em um atentado terrorista. A destruição foi mantida, o que dá idéia do estrago e o terror que a cidade viveu naquele fatídico dia. À propósito, marcas de balas, tiros e explosões são perceptíveis por toda a cidade, que ainda está em constante revitalização. Um lugar interessante é visitar o bairro “gerenciado” pelo Hezbollah, onde mais de 300 prédios foram ao chão após um ataque aéreo de Israel em 2006. As marcas da guerra são cicatrizes difíceis de se apagar e infelizmente não consigo ver um futuro próximo em que ambos vizinhos vivam em paz.

O Hezbollah é um partido político popular no Líbano, adorado por muitos. É islâmico fundamentalista e até algumas semanas atrás ocupava um lugar de destaque no controle do país. Em meados de janeiro de 2011 o governo foi dissolvido e ainda não há informações do que se passa. Talvez agora não seja uma boa época para visitar o país...

Continuando o passeio por Beirut e chegando a Corniche tem-se a Hard Rock de um lado e mais adiante a rocha Pingeon, que dizem ser “irmã” da rocha que existe na Ilha de Capri, pela semelhança e formato.  O lugar é perfeito para o fim de tarde, entretanto as melhores fotos podem ser feitas pela manhã, quando o sol ilumina bem a rocha.
Em Beirute, não há como não se esbaldar com a comida. A tradicional e maravilhosa comida libanesa é oferecida em toda a cidade. Em geral são servidas as entradas famosas, como coalhada, homus, mutabal, etc, e em seguida o prato principal, como de costume cordeiro e kebab. Tudo delicioso!!!  A Hamra Street é cheia de restaurantes, cafés e bares animados. Uma opção bem tradicional (e popular) é o BarBar.

Hospedagem em Beirute é algo complicado. Ou se tem hotéis muito antigos e mal cuidados, ou se tem hotéis caríssimos. Na região bohêmia da Hamra Street são no geral velhos, o melhor é o Phoenicia, que hoje pertence a rede Intercontinental. Me hospedei no Embassy, onde apesar de ser considerado três estrelas, a única que vi ali era eu mesma! Hahahah Enfim, c’est Lebanon!
Para conhecer a cidade, não utilizei o transporte público e não sei dizer se era bom ou mesmo se existia. Contratei um motorista excelente, o qual acabou virando meu amigo e recebeu em difererentes ocasiões meus pais, irmãos e alguns amigos de Dubai. Recomendo-o de olhos fechados, pois é uma pessoa ótima e super profissional, além de ótimo fotógrafo! Sem dúvida ele fez a diferença na minha viagem pelo Líbano, me levando em lugares que só os locais conhecem.  Vai aí o contato dele: Hussein Abdallah +96170809737 lebanon.tours@yahoo.com ou husseinabdull@yahoo.com. 

Não indico aluguel de carro, pois o trânsito é caótico e ninguém respeita sinalização nenhuma. Além disso, a todo instante existem check points o que pode tornar complicado para o motorista que não fala árabe.
o queridíssimo motorista Hussein
O Líbano oferece outros lugares lindíssimos para visitar, veja a minha sugestão de roteiro no Libano:
1º dia: Beirute
2º dia: Beirute, Harissa e Jeita Grotto (a gruta mais linda que já vi em toda minha vida!)
3º dia: Baalbeck, Anjaar e vinícola Ksara
4º dia: Byblos  e Cedros de Deus (reserva dos milenares cedros há 3 mil metros de altura)
5º dia: Beiteddine, Sidon e Tyre (cidades fenícias)
6º dia:  Trípoli

A sugestão é conforme a quantidade de dias que cada um tiver. Se forem só dois, que seja visto o que foi sugerido até o 2o dia e assim por diante. Para quem não dispõe de muito tempo, dá para condensar os 4 primeiros dias em 2, com uma jornada mais puxada.  
o cedro é a árvore símbolo do país e estampa a bandeira
Para entrar no Líbano, brasileiros precisam de visto, emitido e pago no próprio ponto de entrada. Entretano a norma varia, eu mesma não paguei nada, mas uns amigos precisaram. NÃO pode ter carimbo de Israel no passaporte.
Do Líbano é possível esticar até a vizinhança (exceto Israel). Em 2 horas de carro se chega à Damasco na Síria, em um pouco mais à Jordânia. De avião, dá para pegar as low costs Fly Dubai, Air Arabia e Gulf Air e chegar aos países do GCC, sobretudo Emirados Árabes. É a forma mais barata de chegar à Dubai vindo da "Europa".

28 comentários:

Beatriz disse...

Oi Fê
Adorei as fotos!!! Nunca pensei no Líbano por este olhar...
Parabéns e boas viagens!!!
Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Brenda Tavares disse...

Fe que coisa visitar um lugar conhecido como a Paris do Oriente Medio e se deparar com caos, buracos de balas (e que buracos!) e tantas contradiÇoes. Deve ser bem instigante.
As rochas parecem mesmo com os "Faraglioni di Capri".
Retomei as minhas ideias com relaçao a India!
Estamos querendo ir pelos meados de outubro ou novembro, oq achas?
Beijos e boa semana!!

Fê Costta disse...

Olá Bia!

Você vai gostar ainda mais do que está por vir! Aguarde! :)

bjs

Fê Costta disse...

Ei Brenda, pois é, a "Paris do Oriente Médio" é assim... cravejada de buracos de bala... rs

Esta época é ótima para visitar a Índia! O calorão já terá passado e também as monções. Já tá com o roteiro definido?

Bjs

Dri Miller disse...

Adorei! Como sempre!
E ja estou trocando e-mails com o Hussein, obrigada pela dica!
Vou ficar por la a semana toda (semana que vem!) a trabalho e acho que nao vou ter tempo de ver/fazer muitas coisas, mas vou esticar o sabado e o Hussien vai ser meu guia! :-)

Fê Costta disse...

Ei Dri!

Você vai adorar o Hussein, apesar dele não ser propriamente um guia. Entretanto ele tem boas histórias para contar, além de uma agradável compania e ser bom motorista.

send my regards to him! :)

Renata Zagato disse...

Oi Fê,

Então, eu moro em Beirute e sorte sua não ter tentado transporte público (que os Libaneses não leiam, pois acham que aqui é tudo perfeito). Aqui não tem ônibus, trem e nem nada do tipo. O máximo que vc encontra são mini vans que cobram aproximadamente 3 mil Lebanese Ponds, mas você tem que verificar se ele passa por onde quer descer.

Tem também os taxis. Mas tome cuidado onde pega taxi, se pegar na rua, cuidado pois gostam de cobrar a mais se percebem que você não fala Árabe. Tem uns que levam até 4 pessoas, mas sinceramente, não sei como fazem pra definir o caminho. Eles passam o tempo todo pelas ruas bozinando e querendo passageiros, chega a ser iritante, não desistem fácil, buzinam insistentemente. A melhor dica é não ohar.

Também cuidado com taxi no aeroporto, aconselho a terem números de rádio táxi. É mais confiável. Quando cheguei quiseram cobrar 60 dólares um trajeto de no máximo 15 dólares. (Não, não existe taxímetro)

Mas aluguel de carro com motorista é bem barato e vale a pena! Sim, transito por todo lado e toda hora, mas não tem opção melhor!

Tirando isso, a natureza é encantadora!

White Beach e faraia são lugares lindos pra conhecer tbm.

BJos,Renata.

Fê Costta disse...

Renata, ótimas dicas!!

Muito obrigada! Bjs! :)

Claudia Liechavicius disse...

Fê!
No momento melhor evitar essa viagem. As notícias por aqui não são nada boas...
Talvez isso até sirva para trazer definitivamente um pouco de paz para essa região tão sofrida.
Beijos
Claudia

Natália Gastão disse...

Arrasou na descrição de Beirute!!!
Já estou com vontade de conhecê-la... Embora saiba que não tenho como ir tão cedo! =p
Beijão!

Fê Costta disse...

Claudia,

As coisas estão complicadas para o lado de cá mesmo. Não só no Líbano, mas também no Egito e na Tunísia. Tá uma onda revolucionária geral! Imagino se a moda pega e chega até Dubai! Vai ter muita habiba queimando abaia pelas ruas! rs

Bjs

Fê Costta disse...

Ei Natália!

Quem sabe... estando pela Europa, é sempre fácil dar um pulinho até Beirute! :)

zuzu disse...

Ótimos posts, eu ia prá lá, mas a situaçao tá meio estranha! Enquanto isso estudo por aqui!

Mari Campos - Pelo Mundo disse...

belo roteiro, Fê! E, as usual, que fotos lindas, parabéns!

Fê Costta disse...

Ei Zuzu! É verdade, tá meio esquisito agora... a região tá toda tensa! Melhor aguardar um momento mais calmo e assim aproveitar mais! :)

Fê Costta disse...

Ei Mari!!

Muitas delas estão na sua agenda! :)) bjks

Eduardo disse...

Oi Fê!
Meu nome é Eduardo e estive no Líbano a passeio em julho de 2002. Tive mais ou menos as mesmas impressões que vc! Adorei o país e voltei encantado!!! Realmente a realidade libanesa é bastante diferente do resto da região. A diversidade em um país tão pequeno como o Líbano é impressionante e diria até que é uma "atração turística" por si só!!!
Quanto ao transporte, realmente é difícil. Acho que eu caí no golpe do táxi quando cheguei e acabei pagando caro pela corrida. Daí em diante, eu rodei Beirute inteirinha a pé. E valeu à pena!! Não me senti inseguro em nenhum momento caminhando pelas ruas da cidade, nem mesmo de madrugada.
Para viajar pelo país, eu fiz uso das famosas vans, mas não tive problemas. Como eu viajei sozinho, era uma oportunidade para interagir com as pessoas. Conheci muita gente querida e hospitaleira (o que é regra no Oriente Médio em geral).
Ler o seu texto me fez reviver os bons momentos que passei no Líbano!!! Obrigado!!!
Pretendo voltar lá no final do ano que vem, em dezembro de 2012, se tudo der certo!

Fê Costta disse...

Olá Eduardo!

Que interessante estas vans que vc falou! Nunca tinha ouvido falar.... Bem, para quem procura um real back packer, sem dúvida esta opção será excelente! :)

Gostaria de ter ido até o Sul e visitado mais algumas cidades fenícias, mas infelizmente, não deu tempo!

Ah, saudade daquela comida maravilhosa!!!!

Abs, :)

Eduardo disse...

Oi Fê!
Sim, essas vans são bem úteis para se deslocar pelo Líbano. É um país pequeno, então as distâncias nunca são longas. Só peguei ônibus de linha uma vez, quando fui de Beirute para Trípoli (no norte). Aí, era o esquema que a gente já conhece: deve-se ir à estação rodoviária, comprar a passagem, o ônibus sai no horário marcado, etc.
Já as vans não têm hora marcada para sair, paga-se a passagem já dentro do veículo e o motorista pára para pegar e deixar passageiros ao longo do caminho. Como eu era um turista curtindo o país, não tinha pressa nenhuma e esse esquema das vans nunca me incomodou. E o que é o mais legal é que a gente tem contato direto com o povo do país isso, na minha opinião, é uma das experiências mais importantes e ricas em qualquer viagem.
Quanto ao sul do Líbano, no que se refere a monumentos e ruínas de antigas civilizações, vale visitar a cidade de Tiro (Sur, em árabe). Lá existe o maior hipódromo romano do mundo antigo e ruínas romanas igualmente interessantes. Vale muito à pena conhecer!!!
Bom, e a comida... nem me fale... tbm morro de saudades daquelas iguarias deliciosas!!!

Patty disse...

Oi, Fe. Muito legal o seu blog! Estou indo para o Líbano dia 13 de agosto a trabalho. Vou ficar Hotel InterContinental Phoenicia. Ainda não sei o meu roteiro. Estou na dúvia se compro euros ou dólares ou se levo cartão pré-pago da Visa para fazer compras lá. Como são os preços? Lá eles tem hábito de barganhar como na Índia? Poderia me ajudar? Há restrição de roupas lá para mulheres? Algum assunto velado ou normas de etiqueta? Não quero cometer gafes.

Obrigada.

Fê Costta disse...

EI Patty!!

O Phoenicia é super tradicional e numa localização boa, perto de lugares bem marcantes da história do Líbano.

Eu levei dólares e foi tranquilo. Em países árabes, a máxima é barganhar sempre! Quanto às roupas, o Líbano é um dos países mais tranquilos neste quesito em se tratando de oriente médio. Mas considerando que há uma diversidade de religiões muito grande, inclusive muitos muçulmanos, eu não recomendaria usar nada que te deixasse muito exposta, apesar de vc encontrar muitas libanesas assim. Enfim, preferiria errar para menos do que para mais.

No mais é isso. Aproveite a comida sem lembrar da balança! :)

Bjs

Cuka disse...

Fê,

Será que seu maigo motorista me buscaria no aeroporto e me levava até Ghazze? E perto de Zahle...
Viajo dia 19 deste "mês.

bjos,

Claudia Abou Jokh

Fê Costta disse...

Ei Claudia!

Acredito que sim, pois ele me levou até Zahle, quando estávamos indo ou voltando dos Cedars of the Lord.

Entra em contato com ele. Outros leitores tb já experimentaram o serviço dele e gostaram! :)

Bjs

Anônimo disse...

Oi Fê!
Parabéns pelo seu trabalho!!!
Tô pra viajar pra Dubai e gostaria d ir até Abu Dabi no final d fevereiro (4dias) e sigo pro Líbano por 2 semanas... Como é o esquema de aluguel daquele motorista (Hussein Abdallah)??? E no Emirados, vc acha q da tempo d conhecer os dois lugares???

Agradecido,
Marcos Nassif
marcosnassif@hotmail.com

Anônimo disse...

Olá, Fe! Tudo bem?
Sou descendente de libaneses e estou planejando uma viagem ao Líbano este ano. Como está a situação por aí?
Obrigada!
Amanda- Rio de Janeiro

Lucila disse...

Oi Fê! Tudo bem?
Preciso agradecer tua dica.
Vamos para Beirut amanhã e já combinamos nosso tour com o Hussein. Por causa da profissão do meu marido, moramos 2 meses em cada país (e como adoro escrever, relato nossas viagens no blog). Estou no Cairo hoje, passarei o fim de semana no Líbano e sábado à noite, vamos para Dubai.

Um beijo,
Lucila

www.thehotelwife.com

ju disse...

olá Fê,tudo bem?
querida vou em outubro agora a Beirute e estou muito na duvida do que realmente precisa ou nao para entrar no país.
nao consigo falar nem na embaixada e nem no consulado.
alguns sites dizem que e preciso visto e outros não.
voce pode por favor me tirar essa imensa duvida?
beijos e obrigado pelo post,estou super ansiosa.
beijos
ju

Fê Costta disse...

Olá Ju!
Qdo eu fui - 2010 - brasileiros não precisavam de visto e nem mesmo pagavam nada para entrar. Não sei dizer se continua assim ou se houve alguma alteração. Verificar com a embaixada é realmente o melhor a fazer. Bjs e boa sorte!

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