














A cidade russa de São Petersburgo está há 600 km ao norte de Moscou, às margens do mar Báltico, no Golfo da Finlândia. Uma cidade única, que coleciona cópias do que de mais belo já fora erguido na Europa. Lá existe um Vaticano como o de Roma, os canais como em Amsterdã, um Palácio de Versalhes como em Paris e tantos outros ícones da arquitetura européia, disputados à todo instante pelos vaidosos czares.
Há uma discrepância incrível entre Moscou e a antiga Leningrado, a atual e a antiga capital. Ir somente à São Petersburgo não é conhecer a Rússia, defitinitivamente! Esta é a mais européia de todas as cidades ex-soviéticas e esta ocidentalidade se transmite não só na arquitetura, mas também nas pessoas e nos costumes do lugar.
Em 300 anos de vida, passou por três regimes e teve muitos nomes, o primeiro igual ao último: São Petersburgo. A identidade da cidade deve muito à sua origem, que deu as costas para uma Rússia secular e colocou os olhos em direção ao Ocidente das novas oportunidades. Até mesmo o último czar, Nicolau II, fez questão de lembrar: "São Petersburgo é na Rússia, mas não é russa".
Pedro, o Grande, o mais famoso de todos os czares e fundador da cidade, escolheu um lugar estratégico para construir São Petersburgo (peter = pedro; burgo = cidade). Contratou os melhores urbanistas e arquitetos disponíveis e trouxe milhares de trabalhadores das regiões mais longinquas. Limparam terrenos, drenaram pântanos, construíram ruas, edifícios, canais, portos, aterros e represas. Pedro transferiu a capital para esse lugar, moveu os órgãos públicos, obrigou a nobreza a edificar palácios e fundou uma academia de ciências. Proibiu por decreto construções semelhantes no resto do país e isto fez com que ela permanecesse única em todos os sentidos.
Com tempo e perseverança, a cidade cresceu e tornou-se economicamente importante. Atraiu estudantes, intelectuais e artistas e tornou-se palco de transformações políticas que abalaram o resto do mundo. Foi lá que Pushkin, Dostoiévski e Gógol escreveram e, Tchaikovsky, Stravinsky e Shostakovich compuseram... Depois caiu no esquecimento e resistiu bravamente às invasões de Napoleão e Hitler, até ser redescoberta como uma das mais belas cidades do mundo.
Hoje a cidade tira proveito de sua riqueza histórica e cultural e atrai turistas dos 4 continentes, que vêm apreciar as obras do museu Hermitage (o segundo maior do mundo), assistir aos espetáculos de balé no teatro Mariinsky ou cair na animada vida noturna. Enquanto isso, a população revela a vocação cosmopolita de São Petersburgo, tratando os visitantes com naturalidade e cortesia (ao contrário de Moscou).
São Petersburgo vai além da Rússia e é muito mais do que um "parque temático" que muitas cidades da Europa se tornaram. A cidade utópica, inventada e reinventada em tão pouco tempo, revela aquilo que o ser humano tem de pior e de melhor. Uma viagem a São Petersburgo ou Petrogrado ou Leningrado, ensina mais sobre o que está à nossa volta do que sobre o lugar propriamente visitado, parece o laboratório que o homem escolheu para testar os limites de sua capacidade de criação.
Muitos lugares estão associados a personalidades mundialmente famosas: Catarina, a Grande, vivia com exuberância em Tsarskoe Selo; Rasputin foi assassinado no palácio Yusupov; Pushkin escreveu seu "Cavaleiro de Bronze" inspirado no monumento a Pedro, o Grande, na praça dos Dezembristas; Dostoiévski ambientou "Crime e Castigo" na região da praça Sennaya; Lênin chegou do exílio na estação Finlândia.
Além destes, há inúmeros atrativos à serem conhecidos na cidade. Museus são vários, mas o principal deles, como dito anteriormente, é o Hermitage. Inferior apenas ao do Louvre, na França, o Hermitage comtempla as mais famosas obras primas do mundo, em salões gigantescos e exclusivos de cada artista, como Rodin, Cezánne, Picasso, Monet, Matisse, Velásquez, Van Gogh, da Vinci e muitos outros. Há ainda as belas igrejas, como a exótica Sangue Derramado, feita ao estilo da São Basílio na Praça Vermelha de Moscou, com suas cúpulas coloridas e alegres. Além dos parques, um passeio imperdível é o de barco pelos canais do Rio Neva, que percorre as artérias da cidade e revela um ângulo inovador sobre a cidade. A gastronomia também é fantástica e pode-se degustar pratos variados com o melhor caviar e claro, o legítimo strogonoff. Tudo isso regado à uma boa vodca! Animação também não falta em suas inúmeras boates e discotecas que tocam os melhores sons de todo o mundo.
São Petersburgo é assim, simplesmente incrível, doce, sublime! É a maior cidade do mundo ao norte de Moscou e sua latitude gera longas noites de inverno e longos dias de verão. Entre junho e julho, a noite é tão curta que praticamente deixa de existir e é quando ocorre o fenômeno chamado de "Noites Brancas" e a cidade parece não dormir. A cidade se torna ainda mais frenética e pessoas caminham por todo lado, a qualquer hora e então se percebe, mais do que nunca, o orgulho que o petersburguês tem de sua cosmopolita cidade. Imperdível!







